sábado, 21 de junho de 2014

A promessa

Uma unica palavra pode determinar para sempre o que você terá de suportar, num dia quando tudo desabou prometi, desta promessa ficou a eterna luta contra o vazio que me atormenta a tanto tempo.
Mas não hoje, vou fugir de tudo deixar a dor para trás ao que se importam deixo poucas palavras, " Não preocupem-se esta tudo bem, no fim tudo fica bem".
Quase me arrependo do que fiz mas é tarde, o sangue que volta em minha boca mostra que já não ha mais nada o que fazer, acabou. A dor física aumenta minha cabeça parece que vai explodir, sinto sangue correndo por meu nariz, tudo fica turvo como se eu fosse desmaiar a sala onde estou toda suja de sangue me diz que é tarde eu quero voltar mas não da mais... abro meus olhos por uma ultima vez alguém chegou na sala, a pessoa corre até mim diz algo que não entendo sinto tocarem meu rosto é a ultima sensação carnal que tenho.
A dor física acabou, meu corpo esta leve os motivos que me levaram a acabar com tudo já não existiam mais, olho ao redor vejo o que era meu meu corpo carnal deitado, um amigo me abraçando e repetindo você prometeu, ouvir essas palavras me doíam e não lembrava por que, sabia que não estava mais vivo no entanto para onde devia ir, meu coração apertado não me deixava pensar, minha cabeça só repetia "você prometeu".
Algumas pessoas chegaram na sala, todos choravam, meu corpo sem vida é levado ha muita conversa, a dor no meu peito aumenta dói tanto que caio no chão... ao acordar não estou mais em minha sala o silêncio é tão profundo estou rodeado de figuras estranhas pessoas que nunca vi antes, três que estão a minha frente estão com vestes vermelhas como se tivessem sido banhadas em sangue, os demais de vestes verdes, por algum motivo minhas vestes são lilás um tom forte. O resto do ambiente é branco como se toda a luz ficasse retida ao nosso entorno sem nos ofuscar dou um passo a frente, os de vestes verdes se pronunciam em uníssono...
-Suicida, suicida, suicida...
Falam até que a pessoa ao centro dos três de veste vermelha se manifesta.
- Sua fuga dos seres encarnados é o menor de seus erros, você sabe disso, tua essência ainda sente a dor não é?
Sem saber ao certo, ao que ele se refere, mas sabendo que sim sinto a dor.
- Sim, algo me dói mas não sei o que é...
- Meu caro irmão, tudo foi criado através da palavra, quando você deu sua palavra aos seus amigos criou um laço que nem mesmo a morte pode romper, "você prometeu". Agora em sua forma espiritual terá de cumprir a promessa mesmo que não seja na forma encarnada.
- Mas que promessa é essa que nem me lembro, minha dor foi o que me levou a fugir e somente isso, não quero aquilo a vida terrena onde a cada dia tenho que lutar com aquele vazio sem sentido, as duvidas que nada mais trazem alem de dor.
- Uma dor parecida com a que sente agora, irmão todos que daqui partem vão a terra para aprender o quão forte somos, pois em meio as maiores duvidas devemos triunfar, mesmo sem saber ao certo por onde caminhar temos que aprender que o vazio é o motivo para continuar a batalha, vivemos unicamente para vencer a dor. E no meio dessa caminhada cada promessa que fazemos deve ser cumprida, pois da palavra nasce tudo.
- O que devo fazer, então morri para fugir da dor e ela ainda me acompanha, se fosse forte o bastante para lutar contra ela não estaria aqui.
- Sua fraqueza com relação a dor, não é o que a mantem em você mas sim a promessa feita a seus amigos, aos que te amam.
- Que promessa é essa que me trás tanta dor, mesmo aqui onde nada mais devia importar?
- Um dia prometerá estar com eles, sempre que precisassem. Tuas palavras para com eles foi, "se precisar de mim é só gritar estarei aqui".
- Sim, mas isso não é meio forçado quero dizer estou morto agora.
- Você seria o ultimo a morrer, pois cumpriria tua palavra com eles, sempre que eles precisassem estaria lá para oferecer nem que fosse um ombro amigo, mas agora esta aqui. Fugiu de sua responsabilidade na terra mas não pode fugir a sua palavra dada, não aqui onde tudo se cria.
- O que farei então, qual sera minha punição perante isso, a dor não vai passar é isso.
- Não, você não sera punido, mas a dor só ira passar quando cumprir sua palavra. Acompanhara cada amigo quando for necessário, estará ao lado deles todas as vezes que eles precisarem, mesmo que eles não saibam que você esta lá, auxiliará e em nenhum momento será auxiliado.
As pessoas de veste verde sumiram, não os via mais, as palavras ditas pela pessoa de vermelho ao centro eram confusas como eu morto iria ajudar alguém vivo, não tinha cabimento o que iria fazer virar um fantasma que ficaria soprando no ouvido das pessoas palavras para encorajar. Não sei como mas a dor é grande demais.
- Sua dor ira embora no momento que cumprir sua palavra. Somente assim ira parar.- A pessoa de vermelho que falava comigo era a unica pessoa na sala neste momento.
- E como vou fazer isso? Como manterei minha palavra estando morto?
- Na hora que for preciso você saberá o que tem que fazer, por hora peço que fique aqui quando for necessário você estará onde devia estar.
- Agora, é a hora que são misteriosos e não responden minhas perguntas de forma clara?
- Nem tudo é entregue de bandeja, devia saber disto pelo menos. Até mais meu caro irmão e boa sorte em sua cruzada.
Eles desapareceram, sem deixar sinal. A dor em meu peito é tanta que começo a chorar, só consigo chorar, me deito no chão e choro com uma criança abandonada a própria sorte.
- Levante-se meu caro é hora de começar a cumprir tua palavra, os que te querem bem precisam de você.
Levanto meus olhos um senhor me esta sorrindo, suas vestes são cor de rosa, com um sorriso cordial  ele me estende a mão, aperto sua mão. estamos num lugar gramado e o cheiro de flores invade meus sentidos, vejo vários de meus amigos por ali, estão de pé em frente a uma sepultura, minha sepultura isso não me incomoda mas ao ver meus amigos chorando a dor aumenta.
- O que faço? Eles estão sofrendo é por minha causa o que faço?
O senhor de vestes cor de rosa me sorri.
- Faça o que todo amigo faz em horas que precisamos...
Mesmo não entendendo nada, vou na direção do amigo que encontrou meu corpo, era o que mais chorava abraço-o e sinto uma dor forte diferente da minha mas ainda assim forte, solto-o e sinto que a dor dele esta menor mesmo que a minha esteja maior fico feliz de ter feito algo. Vou em direção a cada um dos presentes, como se fosse uma esponja que tira uma pequena parte da dor deles e levo comigo. O enterro acaba vejo cada um seguindo seu rumo minha dor esta maior mas de alguma forma estou mais feliz.
- É isto que farei, absorverei um pouco da dor deles quando for necessário?
- Sim meu jovem, afinal quando um amigo esta presente na necessidade do outro é isso que fazem compartilham a dor tornando mais fácil a caminhada, mas no seu caso terás apenas a sua parte sem que eles nunca possam tirar um pouco da tua dor.
- Sim, mereço isso por minha covardia e quem sabe um dia volte a ter o direito de ter parte da minha dor aliviada.
- Não se preocupe, mesmo tendo a dor você ainda tem a alegria de auxiliar um amigo. A dor um dia acaba e como você mesmo disse um dia, "tudo termina bem se não esta bem é por que não terminou".

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